Haikyo ou locais abandonados – o fenómeno explicado

A exploração urbana, conhecida como Urbex, democratizou-se com a Internet. Já não se conta o número de vídeos de entusiastas que se filmam a examinar um local abandonado.

O Japão é o terreno de jogo de sonho para exploradores de todo o mundo. Desenvolveu-se uma nova forma de turismo, onde curiosos infringem a lei para contemplar Haikyo: edifícios desertos e isolados.

Por que existem tantos Haikyo no Japão e o que procuram aqueles que visitam estas ruínas desprovidas de vida humana?

Haikyo: A especificidade dos locais abandonados no Japão

Haikyo ou locais abandonados – o fenómeno explicado

Definição e simbologia do Haikyo

Haikyo significa “ruínas” em japonês e designa os locais abandonados pelos seus proprietários, por vezes de um dia para o outro: templos, moradias de luxo, parques de diversões, escolas, hospitais ou até aldeias rurais e ilhas inteiras.

Os praticantes de urbex têm regras bem precisas: não roubar nada, não degradar. Assim, alguns destes locais perturbadores e desativados conservaram uma atmosfera única. Cada explorador tem a sensação de ser o primeiro, o único a aventurar-se nas ruínas. Pode, então, conduzir a sua investigação, revisitar a história do Haikyo, imaginar a vida que o habitava antes de tudo mudar. Uma verdadeira viagem no tempo, marcada pela nostalgia.

Estes edifícios abandonados são o símbolo do tempo que passa, das esperanças, da ambição e das desilusões de uma época, da natureza que acaba por retomar o seu lugar. Graças às fotografias dos exploradores, os Haikyo elevam-se ao estatuto de obras de arte.

O Urbex é também desafiar o proibido, colocar-se em situações por vezes muito perigosas em locais que poderiam desabar ao menor passo em falso.

Por que existem tantos Haikyo no Japão?

Entre 1960 e o primeiro choque petrolífero de 1973, o PIB do Japão cresceu três vezes mais rapidamente do que o dos países ocidentais. Ascendeu ao segundo lugar em termos de potência económica. Esta industrialização precipitada provocou um êxodo rural massivo. As zonas rurais japonesas foram abandonadas em prol da cidade. Em 1970, um terço dos habitantes concentrava-se nos três polos gigantes: Tóquio-Yokohama, Nagoia e Osaka-Kobe-Quioto.

O envelhecimento da população e o seu declínio acentuam este fenómeno. Privados de pacientes e alunos, os hospitais e as escolas não tiveram outra escolha senão fechar as suas portas.

Por fim, muitos projetos ambiciosos, como hotéis de luxo ou parques de diversões, acabaram infelizmente por falir devido à crise económica dos anos 90. A queda foi por vezes brutal, e os proprietários abandonaram tudo no local.

Top 10 dos locais de exploração urbana japoneses mais impressionantes

1. Ilha Gunkanjima: abandonada de um dia para o outro

Ilha Gunkanjima

Em 1959, Gunkanjima albergava uma mina de carvão e possuía a maior densidade populacional do mundo. Depois, a exploração de carvão caiu para ser substituída pelo petróleo. Todos os trabalhadores abandonaram a ilha, agora inútil.

2. Marugen Building: o palacete deserto e os seus tesouros

Marugen Building

Fonte: offbeatjapan.org @ Jordy Meow

Este Haikyo ergue-se numa encosta de montanha e domina o oceano Pacífico. Pertencia ao multimilionário Genjiro Kawamoto e servia-lhe de armazém para as suas obras de arte. Embora apelidado de “o rei da construção de Ginza”, acabaria por ser apanhado pelas suas irregularidades e condenado pela justiça japonesa.

3. Parque de diversões Canadian World

Canadian World

Fonte: atlasobscura.com

Parque temático situado em Hokkaido. Faliu após a crise dos anos 90. Os cenários que outrora reproduziam o Canadá, encontram-se agora em ruínas.

4. Ilha Ikeshima

Ilha Ikeshima

Teve o mesmo destino que Gunkanjima. Uma companhia mineira invadiu a ilha em 1952 para desenvolver a mina de carvão mais moderna do país.

5. O Gluck Kingdom

Gluck Kingdom

Fonte: Japonsecret.fr @ Jordy Meow

Parque de diversões que celebrava o universo dos irmãos Grimm e reconstituía a Alemanha medieval. Abandonado em 2007.

6. Hachijo Royal Resort

Hachijo Royal Resort

Fonte: scottbrills.com

Um hotel sublime inspirado na arquitetura barroca francesa. As suas estátuas, fontes e ornamentos luxuosos não escaparam à crise económica.

7. O Western Village abandonado

Western Village

Fonte: obsidianurbexphotography.com

Parque temático grandioso construído durante o período de alto crescimento em 1973. Encontra-se lá até uma réplica do monte Rushmore…

8. Nagoro, a aldeia das bonecas

Kakashi no Sato

Fonte: shikoku-tourism.com

Também chamado Kakashi no Sato, este local abandonado causa arrepios. 270 bonecas foram feitas e espalhadas pela aldeia em memória dos seus habitantes.

9. Ashio Dozan, a mina de cobre

Fonte: gaijinjapan.org

Cidade mineira que sofreu, infelizmente, danos ambientais consideráveis. Abandonada em 1973.

10. A aldeia russa de Niigata

Aldeia fantasma fechada desde 2002. As cúpulas das suas igrejas ortodoxas estão agora roídas pelo tempo.

Os Haikyo são a memória de uma época cheia de ambição e decadência. Estes museus efémeros naturais representam as consequências da sociedade de consumo. Uma experiência única.

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